quinta-feira, 4 de agosto de 2016

LIÇÃO 06: "A ÉTICA CRISTÃ E O BULLYING" - LIÇÕES BÍBLICAS JUVENIS 3º TRIMESTRE DE 2016

fonte: http://climatologiageografica.com.br/bullying-na-escola-dobra-chance-de-depressao-na-vida-adulta/

Na lição do próximo domingo, os Juvenis estudarão sobre bulluyng. O assunto é bem próximo dos alunos, os quais, com certeza já foram vítimas ou agressores. Às vezes a prática é "normal" no meio deles, corriqueira mesmo até no âmbito da igreja.

É de suma importância conscientizar os alunos sobre a gravidade do problema e seus reflexos danosos às vítimas.

O programa Fantástico, da Rede Globo, veiculou um quadro no programa, no último mês de Dezembro, intitulado "Eu amo quem sou". O quadro retratava justamente a prática do bullying nas escolas, as consequências sofridas pelas vítimas, a ação dos pais e como tratar a questão que, em níveis elevados, pode gerar gravíssimos problemas. O link é este: http://g1.globo.com/fantastico/quadros/eu-amo-quem-sou/


Veja dois exemplos da série nos vídeos abaixo:




A questão do ponto de vista legal:

O governo brasileiro brasileiro, na tentativa de tratar a questão do ponto de vista legal aprovou a Lei 13185/15 que "Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying)". Transcrevo abaixo o inteiro teor da Lei, a qual pode ser encontrada aqui.

É bom dar ciência a todos (adolescentes, pais e toda a igreja), da existência da Lei, esclarecendo e advertindo.


Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
Vigência
Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying).
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o  Fica instituído o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying) em todo o território nacional.
§ 1o  No contexto e para os fins desta Lei, considera-se intimidação sistemática (bullying) todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.
§ 2o  O Programa instituído no caput poderá fundamentar as ações do Ministério da Educação e das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, bem como de outros órgãos, aos quais a matéria diz respeito.
Art. 2o  Caracteriza-se a intimidação sistemática (bullying) quando há violência física ou psicológica em atos de intimidação, humilhação ou discriminação e, ainda:
I - ataques físicos;
II - insultos pessoais;
III - comentários sistemáticos e apelidos pejorativos;
IV - ameaças por quaisquer meios;
V - grafites depreciativos;
VI - expressões preconceituosas;
VII - isolamento social consciente e premeditado;
VIII - pilhérias.
Parágrafo único.  Há intimidação sistemática na rede mundial de computadores (cyberbullying), quando se usarem os instrumentos que lhe são próprios para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar meios de constrangimento psicossocial.
Art. 3o  A intimidação sistemática (bullying) pode ser classificada, conforme as ações praticadas, como:
I - verbal: insultar, xingar e apelidar pejorativamente;
II - moral: difamar, caluniar, disseminar rumores;
III - sexual: assediar, induzir e/ou abusar;
IV - social: ignorar, isolar e excluir;
V - psicológica: perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, manipular, chantagear e infernizar;
VI - físico: socar, chutar, bater;
VII - material: furtar, roubar, destruir pertences de outrem;
VIII - virtual: depreciar, enviar mensagens intrusivas da intimidade, enviar ou adulterar fotos e dados pessoais que resultem em sofrimento ou com o intuito de criar meios de constrangimento psicológico e social.
Art. 4o  Constituem objetivos do Programa referido no caput do art. 1o:
I - prevenir e combater a prática da intimidação sistemática (bullying) em toda a sociedade;
II - capacitar docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema;
III - implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação;
IV - instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores;
V - dar assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores;
VI - integrar os meios de comunicação de massa com as escolas e a sociedade, como forma de identificação e conscientização do problema e forma de preveni-lo e combatê-lo;
VII - promover a cidadania, a capacidade empática e o respeito a terceiros, nos marcos de uma cultura de paz e tolerância mútua;
VIII - evitar, tanto quanto possível, a punição dos agressores, privilegiando mecanismos e instrumentos alternativos que promovam a efetiva responsabilização e a mudança de comportamento hostil;
IX - promover medidas de conscientização, prevenção e combate a todos os tipos de violência, com ênfase nas práticas recorrentes de intimidação sistemática (bullying), ou constrangimento físico e psicológico, cometidas por alunos, professores e outros profissionais integrantes de escola e de comunidade escolar.
Art. 5o  É dever do estabelecimento de ensino, dos clubes e das agremiações recreativas assegurar medidas de conscientização, prevenção, diagnose e combate à violência e à intimidação sistemática (bullying).
Art. 6o  Serão produzidos e publicados relatórios bimestrais das ocorrências de intimidação sistemática (bullying) nos Estados e Municípios para planejamento das ações.
Art. 7o  Os entes federados poderão firmar convênios e estabelecer parcerias para a implementação e a correta execução dos objetivos e diretrizes do Programa instituído por esta Lei.
Art. 8o  Esta Lei entra em vigor após decorridos 90 (noventa) dias da data de sua publicação oficial.
Brasília,  6  de novembro de 2015; 194o da Independência e 127o da República.
DILMA ROUSSEFF
Luiz Cláudio Costa
Nilma Lino Gomes
  

Explore bem a questão com os alunos, mostre a eles que essa prática que para muitos parecer ser inofensiva na verdade é séria, viola o novo mandamento dado por Jesus:

"Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei ,que também vos ameis uns aos outros." (Jo 13.34)

O cumprimento de tal mandamento tem grandes consequências: "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros." (v. 35)

sábado, 23 de julho de 2016

LIÇÃO 04: "ÉTICA CRISTÃ NA FAMÍLIA" - LIÇÕES BÍBLICAS JUVENIS 3º TRIMESTRE DE 2016


A lição dos Juvenis, desta semana, trata da Ética Cristã na Família. O assunto é de vital importância, pois a família é criação divina, é propósito do Eterno desde o Éden. Sendo assim, é claro que o inimigo tem firme propósito em destruí-la, e nos últimos tempos uma das estratégias adotadas em nosso país é desconfigurar o modelo bíblico de família. Tal ação diabólica, é exercida ao longo dos anos, não acontece da noite para o dia, mas é eficiente, pois relativizando conceitos caros quanto à família ao longo dos tempos, passados alguns anos a ideia de que o modelo bíblico é “ultrapassado” e “retrógrado” já é assimilada por muitos.

Inicialmente, vejamos que o conceito bíblico de família em Gênesis é composto, basicamente, por quatro características:

1.                União heterossexual;
2.                Monogâmica;
3.                Indissolúvel; e,
4.                Com propósito de gerar filhos.

Ao longo de toda a Bíblia, vemos que estas características são defendidas, tanto que não é difícil observar alguns exemplos em que a violação dos itens listados é combatida por Deus. Vejamos:

1’: União homossexual é condenada, bem como outras relações sexuais ilícitas em Levítico 18 e Rm 1.26.27.

2’: o adultério é condenado nos Dez Mandamentos (Êx 20.14), assim como por Jesus (Mt 5.27-32).

3’:  A dissolução do casamento é duramente combatida por Jesus (Mt. 19.6).

4': sobre a geração de filhos, dois ótimos textos acerca da grandeza de tê-los é o Sl 127.3-5 e 128.3b.

O CONCEITO DE FAMÍLIA NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

A Constituição da República Federativa do Brasil, dá tratamento especial à família. O dispositivo abaixo define o que é família do ponto de vista constitucional:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. (grifei)

De clareza solar é o caput (cabeça) do art. 226 ao definir que a família é base da sociedade, algo já defendido nas páginas bíblicas há muito. Lendo o § 3º, porém, vemos algo que parece soar estranho, pois o texto fala que é reconhecida a união estável do homem e a mulher, repito: homem e mulher. Sim, esta é ainda a redação da Constituição. Acrescente-se mais, agora, a redação do art. 1723 do Código Civil, em vigor: “É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”. (grifei)

Tanto para a Constituição como para o Código Civil, a família é composta, basicamente, pela união entre UM HOMEM e UMA MULHER. O que ocorre então no Brasil? Ocorre que “os tempos modernos” a “evolução” (involução) do pensamento ocidental não aceitam, de forma alguma, muitos dos princípios judaico-cristãos sobre os quais foram firmados inicialmente os costumes e cultura brasileiros.

Foi pisando a Constituição e a coerência hermenêutica, que o STF – Supremo Tribunal Federal reconheceu, contra a Constituição, como constitucional a união de pessoas do mesmo sexo ao julgar duas ações, a ADI 4277 e ADPF 132[1]. E a partir da desastrosa e inconstitucional decisão, o CNJ – Conselho Nacional de Justiça, sob a presidência do Min. Joaquim Barbosa e com fundamento no “novo entendimento” da Suprema Corte, editou a  Resolução n.º 175/13 dispondo sobre “a habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo.”[2]A Resolução proíbe que as autoridades competentes recusem a habilitação, celebração de casamento civil ou de conversão de união estável em casamento de pessoas do mesmo sexo.

Assim o Brasil através do STF, ignorando o que os constitucionalistas chamam de “princípio da supremacia constitucional”, disse o que a Constituição não diz, aprovou o que ela veda... Ah, e nossos nobres legisladores, nossos queridos e eleitos Deputados e Senadores, fingiram que não viram nada, que não era com eles, pois, têm o poder para, legislando, socorrer o texto constitucional e a opinião da maioria dos brasileiros, mas não é conveniente, então, fingem que não é com eles.

Eis aí, um bom argumento, penso eu, para justificar a necessidade de os brasileiros, digo aqui principalmente cristãos, acompanharem o que acontece na politica e não “demonizá-la”, pois somos afetados diariamente pelo que Brasília decide, depois não adianta reclamar. Claro que a disposição para melhor conhecimento do que acontece à nossa volta não substitui o exercício diário das virtudes cristãs, da oração, do evangelismo, da leitura bíblica etc., etc.

Voltando ao esquema da lição dos Juvenis, os tópicos 2 (A Importância da Família no Século XXI) e 3 (A Vontade de Deus para a Família) da lição não são de menor importância, mas neste breve comentário, ficarei limitado aos comentários acima. Desenvolva o professor os dois últimos tópicos com bastante propriedade, pois são muito relevantes, principalmente acerca do exercício do papel de cada componente na família.



[1] - Vide a notícia divulgada pelo próprio Supremo no link:  http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=178931
[2] - disponível em http://www.cnj.jus.br/atos-normativos?documento=1754. Acessado em 23/07/16.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O CRISTÃO, A POLÍTICA E O NOVO PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS.





Na última semana, o plenário da Câmara de Deputados elegeu como seu presidente o Deputado Federal Rodrigo Maia. Maia assume a presidência após o longo e trágico episódio envolvendo o ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha; aliás, a novela de Cunha continua, noutros aspectos, e promete muitos capítulos ainda.

O cenário atual é propício para tocar em um assunto já conhecido no meio cristão, mas que ainda encontra muita resistência: a igreja e a política.

Política é algo bom, necessário, que acontece todos os dias em todos os lugares, até mesmo nas igrejas. Correto? Basta verificar o sentido da expressão: “1. Conjunto dos fenômenos e das práticas relativos ao Estado ou a uma sociedade. 2. Arte e ciência de em governar, de cuidar dos negócios públicos. 3. Qualquer modalidade do exercíco da política. 4. Habilidade no trato das relações humanas. Mode acertado d conduzir uma negociação, estratégia.”[1]

Por outro lado, politicagem é algo bem diferente segundo o mesmo dicionário: “política mesquinha, estreita.”

Alguns cristãos talvez julguem ser blasfêmia, mas política é algo bíblico, é necessário, é vontade de Deus que seja exercida. Destaca-se o conceito de que política é a “arte e ciência de governar, de cuidar dos negócios públicos”. Neste sentido, a política deve ser feita em todos os ambientes, até no eclesiástico. Sim, gerir bem, administrar com habilidades, por meios lícitos e para finalidades louváveis deve ser algo até mesmo do pai de família, quanto mais dos líderes religiosos! Já a politicagem... esta sim assombra a muitos e também aos cristãos, daí a rejeição do tema política, mas não por ser esta ruim, perniciosa, mas em razão de ser conhecida muito mais pelo exercício da politicagem.

Voltando ao caso do novo presidente da Casa legislativa, vale observar que em nosso país o Poder Legislativo, encarregado, dentre outras coisas, de legislar, é composto de duas casas: Câmara dos Deputados (com 513 membros, representantes do povo) e Senado Federal (composto de 81 membros, representantes dos Estados e do DF). Este foi estabelecido como casa revisora e aquela como casa iniciadora, haja vista na maioria das vezes o processo legislativo ter início na Câmara. Maia presidirá então, a Casa com maior visibilidade política e grande responsável por tratar de temas relevantes para o país, os quais devem ser regulados por lei.

Na última segunda, 18/07/16, Maia esteve no programa Roda Viva sendo entrevistado por vários profissionais ligados ao meio político e jornalístico. Ao ser perguntado sobre temas polêmicos, que não raras vezes estão no noticiário e sob pressão para apreciação parlamentear, o novo presidente disser ser, pessoalmente, contra a legalização das drogas ilícitas, contra o casamento homossexual (mas a favor da união estável) e afirmou ainda que acerca do aborto a legislação brasileira já abarca satisfatoriamente os casos necessários (lembrando que no Brasil é possível o aborto em três casos[2]: 1. Aborto quando a gravidez é fruto de estupro; 2. Caso a mãe esteja em risco de morte e, 3. Em caso de feto comprovadamente anencéfalo).

No entanto, é de suma importância que todos os brasileiros estejam atentos ao ocorre no Congresso Nacional (as duas Casas Legislativas), pois as leis ali produzidas afetam a todos, e como os Deputados são, em tese, representantes do povo, então deveriam defender o que lhes é mais benéfico [ao povo]. Leis imorais e contra os princípios cristãos não são aprovadas na calada da noite, o processo legislativo não funciona assim, mas se não há interesse cristãos, se ainda mantém a ideia incorreta que política e religião não se misturam podem colher os frutos da sua indiferença, frutos maus.
Para os que se opõem à política, é bom lembrar que a liberdade religiosa no Brasil é fruto, justamente, nos dias atuais, de garantia constitucional (legal):

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;  

Nem sempre foi assim, pois na Constituição do Império, de 1824, a religião católica era a religião do Estado, não aceitando-se manifestação pública de outra fé:

Art. 5. A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto domestico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo.[3] (redação original)

Cabe aqui uma lição muito clara e lúcida do Pastor e escritor Silas Daniel. Em sua excelente obra “A Sedução das Novas Teologias” trata do engajamento popular junto à política nacional; é um envolvimento para além do simples conhecimento do que ocorre no Legislativo, portanto, um passo mais além ainda na caminhada:

 INFLUÊNCIA CORRETA E MAIS EFETIVA
Portanto, em vez de nos preocuparmos apenas em aumentar o número de representantes no Congresso Nacional para tentar deter leis anticristãs, devemos, cada um de nós, procurar exercer influência cristã, como sal e luz, nos lugares onde Deus nos colocou. O que adianta termos 100 represnatnes no Congersso Nacional se a própria igreja não se engaja pela transformação do país?
Veja o  exemplo de muitos evangélicos norte-americandos nos Estados Unidos. Em vez de ficarem parados reclamando da aprovação de leis anticristãs, da escola que só faz ensinar evolucionismo aos filhos, do aumento da degradaçã moral da sociedade, dos programas de televisão que são péssimos, eles particpalm de discussões, fazem manifestações públicas, boicotam produtos, etc. Mas também não estou propondo só isso.
Não devemos minimizar a importância de termos representantes políticos no Congresso Nacional, nem demonizar a política (“Política é coisa do diabo”), mas também não devemos ficar pensando que ter representantes políticos é tudo. Nem devemos pensar que engajamento é só luta e protesto. O que muda mesmo é a presença ativa da igerja na sociedade, é ser sal e luz, pregar, evangelizar, ganhar vidas para Cristo e discipulá-las, é viver uma vida de santidade, viver uma vida inspiradora e ainda participar, envolver-se, manifestar opinião em toda oportunidade que surgir.”[4]

Assim, é bom ficar de olho, dar ouvidos, acompanhar e, na medida do possível, participar da política, pois determina em muitos aspectos própria vida.

Por fim, sugiro que não deixe de ver toda a entrevista de Rodrigo Maia, note suas afirmações, entenda um pouco de sua função.




[1] - FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Dicionário da língua portuguesa. 6. ed. Curitiba: Positivo, 2006.  p. 640.
[2] - Para melhor esclarecimento, vide art. 128 do Código Penal e decisão proferida pelo STF na ADPF – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n.º 54 , na qual ficaram fixados os parâmetros para aborto de feto anencéfalo, além da Resolução n.º 1989/2012 CFM – Conselho Federal de Medicina (que dispõe sobre o diagnóstico de anencefalia para antcipação terapêutica do parto).
[4] - DANIEL, Silas. A Sedução das Novas Teologias. Rio de Janeiro. 1ed.  CPAD: 2007, pp. 238,239

quinta-feira, 14 de julho de 2016

NINGUÉM EXPLICA DEUS, O INCOGNOSCÍVEL.



Na igreja evangélica brasileira, não raras vezes as músicas estão no centro das atenções, seja em razão da popularidade de algumas boas (incomum), seja pela popularidade de canções ruins (comum). Fato é, que a arte exerce influência, movimenta o mercado, propaga teologias, enriquece alguns e deturpa o coração de muitos que, ao serem "honrados”, esquecem quem são.

Pois bem, uma canção muito tocada no momento tem por título “Ninguém Explica Deus”, do grupo “Preto no Branco”. Já ouvi algumas vezes, mais precisamente o clipe gravado e disponível no you tube.

Recentemente, li uma análise sobre a canção, uma crítica disponibilizada no blog “Portal Missões& Teologia”. Na postagem, dentre outros pontos o autor critica o fato de a canção enfatizar que “ninguém explica Deus”. Abaixo, reproduzo um trecho da postagem:

Embora o conhecimento não seja exaustivo, no entanto, há um abrangente conteúdo revelado que nos diz quem é o Deus triúno, criador dos céus e da terra. Quem sustenta que ninguém explica Deus são os deístas, que acreditam que o Divino se ausentou após criar o cosmos. O teísmo, onde se encontra o cristianismo, é proposicional, por isso há um conteúdo comunicável e explicável. A afirmação de não se poder explicar Deus, indiretamente nega o principio da imanência e da revelação especial. Ela está mais para fideísmo do que para a fé cristã ortodoxa.Fideísmo é crer dando um “salto no escuro”. Mas Deus trouxe luz acerca de si mesmo através da Escritura. É preciso ter cuidado com determinadas afirmações.

O próprio autor do texto aceita a ideia de que não é possível explicar Deus exaustivamente, mas que “há um abrangente conteúdo revelado que nos diz quem é o Deus triúno, criador dos céus e da terra”. Mais. “Quem sustenta que ninguém explica Deus são os deístas...”. Ao mesmo tempo que o autor assevera que Deus pode ser conhecido (explicado, não exaustivamente), afirma que negar poder explicá-lo é ser deísta. Há aí, penso eu, contradição na exposição, e aproveitando-me da questão, não para defender a música ou seu(s) autor(es), acho ser útil refletir (introdutoriamente, muito introdutoriamente) sobre a possibilidade ou não de explicar o Incognoscível.

Os teólogos no estudo da Teologia costumam classificar Deus como ser cujos atributos são naturais (incomunicáveis) e morais (comunicáveis). Nem sempre tais classificações encontram consenso, haja vista a teologia ser produzia por homens, e estes, limitados, movidos por motivos às vezes desconhecidos etc., divergem em seu pensamento. No entanto, para o fim aqui proposto, tomo uma classificação  do teólogo Russel E. Joyner, o qual ao listar os atributos Naturais de Deus, após pontuar, em primeiro lugar, que Deus é Espírito, afirma que o Eterno é “cognoscível”.

Antes porém, conforme Aurélio[1], o significado do termo cognoscível é “que se pode conhecer”, por outro lado o antônimo, incognoscíel é “que não se pode conhecer”[2]. Segundo Joyner, ao tratar do tema esclarece que:

 Deus jamais foi visto (Jo 1.18). O Deus onipotente não pode ser plenamente compreendido pelo ser humano (Jó 11.7), mas se reveleou em diferentes ocasiões e de várias maneiras. Isto indica que é da sua vontade que o conheçamos e tenhamos um correto relacionamento consigo (Jo 1.18; 5.20; 17.3; At 14.17; Rm 1.18-20). Isso não significa, porém, que podemos compreender completa e exaustivamente a totalidade do caráter e da natureza de Deus (Rm 1.18-20; 2.14,15). Assim, da mesma forma que Ele se revela, também se oculta: "‘Verdadeiramente, tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel, o Salvador" (Is 45.15).[3] (grifei)

O autor defende que Deus é compreendido na medida que Ele mesmo permite que o homem o conheça: “Se temos algum conhecimento de Deus é porque ele optou por se nos revelar”.[4] Assim, embora possa ser conhecido, isso é possível apenas parcialmente, na medida em que Ele quer.

Outro pentecostal, Eurico Bergstén [5], ao tratar dos atributos de Deus pontua que o Eterno é:
Incomensurável
Inconmensurabilidade é o infinito quando aplicado ao espaço. Assim como é impossível imaginar a forma de Deus, também é impossível medir, pesar ou fazer algum cálculo a respeito de Deus. Não existem números ou expressões que possam nos fazer compreender Deus (sl 71.15; 40.5 e 139.6, 17, 18). Medida nenhuma pode dar uma ideia da sua grandeza (Jó 11.9; 1 Rs 8.27). Nenhum cálculo de peso pode fazer-nos compreender o seu “peso de glória” (2 Co 4.17). (grifei)

Bergstén não nega a possibilidade de conhecermos algo sobre Deus, mas que é impossível medi-Lo, compreendê-Lo plenamente dentro dos padrões humanos. Nesse sentido, considerando a grande e grave lesão causado à humanidade em decorrência da Queda, é fácil concluir que o homem não pode compreender a Deus plenamente, diria ainda, facilmente, que conhece apenas parte. Dois bons exemplos, são afirmações contidas no livro de Jó: Para Eliú, “Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender; o número dos seus anos não se pode calcular” (Jó 36.26). Já o patriarca, falando sobre o Todo-poderoso diz: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos! Que leve sussurro temos ouvido dele! Mas o trovão do seu poder, quem o entenderá?” (Jó 26.13,14).

Seria muito útil uma leitura da obra “A História das Doutrinas Cristãs”, de Louis Berkhof. Nela, o leitor verá que muito do cremos hoje e defendemos como verdades incontestáveis já foi crido diferente e objeto de muita contradição e debate, pois grande parte das doutrinas essenciais da fé cristã foram moldadas nos primeiros séculos, de forma que parte do que cremos hoje cremos por ter sido fixado anteriormente, não por termos chegado a conclusões sozinhos, a partir de reflexão própria. A teologia nos deu, pronto muito do que às vezes “compreendemos” ao ler o Texto Sagrado. Berkhof esclarece, por exemplo, as controvérsias iniciais acerca da Doutrina da Trindade (pp. 77/83) e de Cristo (pp. 93/111), de como duros embates fixaram muito do que aceitamos hoje. A teologia cristã não foi dada como está (nem mesmo há consenso hoje sobre vários pontos), mas através dos séculos vêm sendo alterada, com pontos bem fixados é verdade, mas que outrora foram objeto de disputas por séculos.

Uma breve citação sobre o saber teológico é necessária. Para César Moisés Carvalho[6], tratando acerca da “Educação Cristã como Labor Teológico”:

Sem reconhece que ela [teologia] é um discurso humano – e, por isso mesmo, falível! – acerca de Deus e não Ele em si mesmo, sistemas teológicos relutam em exercer autocrítica e confundem sua confissão com própria Escritura. Por isso, apesar dessa opinião clássica de Bottigheimer, o teológo Antônio Carlos de melo Magalhães, afirma que a “teologia não é ciência, muito menos ciência da fé, ela é, tão somente, discurso, fala, narrativa, sistematização de práticas, crenças, desejos, aspirações, perspectivas, textos”. Isso significa dizer que, em “seu âmbito estão as experiências e as formas como as comunidades humanas tentaram, ao construir significados e sentidos para o mundo, criar instituições, estabelecer regras e estruturas de funcionamento e crença”. É por isso que, para karl Barth, a “teologia é obra humana, ela não é a obra divina”. E mais, “Ela é serviço prestado à palavra, ela não é a própria Palavra de Deus”.

A teologia é necessária, é inevitável, mas deve haver cuidado ao status que lhe conferimos e apreciar o que ouvimos, lemos e entendemos teologicamente.

Voltando à questão inicial, afirmar que Deus é “explicável” é verdade desde que seja ressaltado que o que podemos conhecer dele é apenas em parte. Por outro lado, dizer que “ninguém explica Deus” também é verdadeiro, desde que tal afirmação seja aclarada no sentido que se diz que o que não se pode conhecer é o todo, em sua total abrangência, pois impossível explicá-lo tal qual Ele é não somos capazes, nossas limitações não comportam, nem mesmo Ele desejou dar-se a conhecer como é. 

Basta-nos saber que podemos conhecer o necessário dele em Cristo. Conheçamos Cristo e o que se pode compreender, gradualmente, à medida de nossa limitação!

Post Scriptum: certo é que não há nada aqui em desfavor do blog citado, aliás, a música está causando discussões por todo lado. Mas, fica aqui a reflexão estrita ao que foi abordado sobre a possibilidade ou não de conhecer a Deus.


[1]FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Dicionário da língua portuguesa. 6. ed. Curitiba: Positivo, 2006.  p. 243.
[2]  - ibid, p. 470.
[3]  - JOYNER, Russell E.Joyner. O Deus Único e Verdadeiro, In, HORTON, Stanley
(Ed.). Teologia Sistemática, Uma Perspetiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.129.
[4]  - ibid, p. 130.
[5] - BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, pp.26,27.
[6] - CARVALHO, César Moisés. Uma Pedagogia para a Educação Cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, pp. 284/285

domingo, 10 de julho de 2016

LIÇÃO 03: "A NATUREZA MORAL DO SER HUMANO" - LIÇÕES BÍBLICAS JUVENIS 3º TRIMESTRE DE 2016


A lição de número três trata de temas como "a imagem de Deus" e "santidade". É ótima oportunidade para discutir com os alunos o que é santidade, desconstruir conceitos equivocados e apresentar biblicamente que santidade vai muito além de manifestações externas dos dons espirituais, mas envolve todo o viver cristão, seja no âmbito eclesiástico ou fora dele.

Como mencionado na lição, há um bom livro que trata do tema santidade a partir de Levítico. Para o autor, Victor P. Hamilton, o terceiro livro do Pentateuco traz um "Código de Santidade", no qual Deus disciplina a santidade para todas as esferas da vida humana; isto, inclusive, constei no tópico 3, item 3.1 da lição desta semana.

Alguns pontos interessantes, é que o autor trata que o conceito bíblico de santidade envolve:

a) correta alimentação: em nossos dias, é tema relevante, já que adolescentes e jovens normalmente preferem alimentos industrializados e não se preocupam com uma dieta que satisfaça as necessidades do corpo. Um grave problema em nossos acerca da alimentação, é a quantidade alta de pessoas obesas. Alimentar-se mal, não ter o cuidado devido com o corpo não seria um problema para a completa santidade do cristão?

b) pureza sexual: este tema ocupou muito espaço em Levítico, capítulos 18-20, com grande foco no capítulo 18 acerca das práticas abomináveis sexualmente.

Na Revista há uma lição toda dedicada ao tema, é a nove, "Ética cristã e a sexualidade". Na ocasião, o professor poderá explorar o tema, pois muito necessário ser ensinado dentro dos padrões bíblicos, pois fora destes já é difundido em toda parte.

c) à pureza sacerdotal: os capítulos 21 e 22 tratam "leis para os sacerdotes" e "leis acerca de comer coisas santas". O santo ofício sacerdotal deveria ser exercido dentro de padrões estritamente divinos, tanto no que diz respeito, por exemplo, à linhagem sacerdotal, vestimentas, casamentos etc.

d) guarda de festas sagradas: Em Lv 23, o povo de israel é conclamado a observar dias, ocasiões e as festas santas ao Senhor: o sábado, a páscoa, as primícias, o pentecostes, o dia da expiação, a festa dos tabernáculos.

O desejo de Deus não era simplesmente que o povo de Israel festejasse, mas que o fizessem com coração voltado para  Deus, sinceramente, piedosamente, pois, do contrário, Deus não receberia festa alguma ou sacrifício; veja o exemplo sério em Isaías 1.13: "Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas de Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada a ajuntamento solene."

Trazendo para nossos dias, que proveito há em exercícios religiosos mecânicos quando o coração está distante de Deus, quando o homem acostumado a entrar e sair do templo não discerne a casa do Senhor, a Palavra do Senhor de tudo o mais?

ainda outros temas nos capítulos 24-27, o que pode e deve ser algo de exame do professor para aplicação pessoal e ensinamento aos juvenis.

Veja, santidade é algo que envolve todas as esferas da vida do cristão, não há compartimentos, separações em nossas vidas, isto no sentido de separar uma "vida religiosa" e uma "vida sagrada", não. Somos cristãos o tempo todo, e em todas as ocasiões há um padrão bíblico, uma Ética Cristã para ser aplicada  na disciplina da vida do servo de Deus.

Professor, inicie hoje mesmo o estudo da lição, medite, sob oração, no tema tratado e certamente Deus falará profundamente ao teu coração e ao dos alunos.

sábado, 9 de julho de 2016

LIÇÃO 02: "O CARÁTER ÉTICO DE DEUS" - LIÇÕES BÍBLICAS JUVENIS 3º TRIMESTRE DE 2016

Nesta lição, vamos tratar de alguns atributos de Deus e do Reino de Deus ou Reino dos Céus.

Ressalto inicialmente, que ao trazer esses temas o objetivo não é fazer um estudo teológico profundo sobre Deus, mas apresentar aos alunos alguns dos atributos divinos para que conheçam mais sobre o criador.

A fim de despertar os alunos para o início da aula, peça a eles que definam Deus em uma Palavra. Por exemplo: Deus é: amor, onipotente, onisciente, misericordioso etc. À medida que forem mencionando, escreva-as no quadro e, ao final, explique a Eles que os atributos de Deus podem ser separados em duas classes: atributos naturais (incomunicáveis) e atributos morais (comunicáveis). O assunto governa o primeiro tópico da lição.

Vale ressaltar que os teólogos variam quanto à classificação dos atributos divinos. Assim, Stanley Horton em sua Teologia Sistemática (CPAD, 2012), por exemplo, classifica:
1) Atributos naturais de Deus (Deus é): Espírito, (in)cognoscível, eterno, onipotente, onipresente, onisciente, sábio.


    2) Atributos morais de Deus: fiel, verdadeiro, bom, paciente, amor, gracioso e misericordioso, santo, reto e justo.

Já na obra de Norman Geisler, também publicada pela CPAD, a classificação diferencia em alguns pontos, bem como em “Deus e a Bíblia”, do Pastor Elinaldo Renovato. Contudo, em todos os casos os autores apresentam as bases bíblicas para as classificações.

No tópico dois, observa-se os dois aspectos do Reino de Deus: a) presente, e, b) futuro.

No tópico três, “As virtudes manifestas do Reino de Deus”, é ótima ocasião para aplicar aquilo que foi explanado nos tópicos um e dois.

Os juvenis devem ser levados à firme convicção que devem manifestar em suas vidas os atributos morais de Deus, de forma que todos que os cercam sejam levados a glorificar a Deus, a exaltá-Lo. 

sábado, 2 de julho de 2016

LIÇÃO 01: O QUE É ÉTICA CRISTÃ - LIÇÕES BÍBLICAS JUVENIS 3º TRIMESTRE DE 2016

Como informado no post anterior, tive o prazer de comentar a revista Lições Bíblicas Juvenis da CPAD para este trimestre. Abaixo, informo alguns livros que usei para tratar do assunto, especificamente os que tratam do assunto ética.


A mais nova obra da CPAD sobre ética cristã é "As Novas Fronteiras da Ética Cristã", do conhecido Pastor Claudionor Andrade. O livro trata de questões pontuais com riqueza de argumentos bíblicos e históricos. Excelente!


Abaixo, uma obra lançada já há algum tempo. Não vamos encontrar como na indicação anterior, os assuntos mais discutidos na revista dos Juvenis, mas há aqui grande argumentação em favor da Ética Cristã e sólido fundamento para ao professor.


Também foi muito último a grande livro do Pastor e amigo César Moisés Carvalho. Além de tratar de pedagogia de forma extremamente brilhante, o que leva à reflexão e crítica de algumas posturas evangélicas, mas sobretudo deve provocar mudança de comportamento, o autor dedicou o capítulo 2 da Parte I do livro para  tratar do assunto da lição: "Da Ética Cristã à Ética de Cristo"; são duas coisas distintas na perspectiva do autor.

A leitura de toda a obra é imprescindível para os professores!



Por fim, cito ainda o conhecidíssimo livro "Ética Cristã, opções e questões contemporâneas" de Norman Geisler. O livro é rico em argumentação bíblica, científica e filosófica. Muito útil, sendo necessária leitura atenciosa de alguns argumentos um pouco distantes do dia a dia e cuidado na transmissão aos alunos para que compreendam bem o ensino.




Ao longo da revista, está evidente o uso de outras obras da CPAD, principalmente na revista do professor que conta com as seções "subsídios". Contudo, ficam registradas aqui as indicações acima.