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terça-feira, 11 de abril de 2017

O PÚLPITO PENTECOSTAL (1)





Alguém deve ser identificado como cristão por refletir padrões bíblicos de pensamentos, sentimentos e ações. Assim, basicamente, cristão é aquele que tem a Bíblia como padrão de regra e fé e que crê em sua inspiração divina (2 Tm 3.16).

Como obter conhecimento da Palavra de Deus? Inicialmente, cabe a todo cristão ler e meditar nas Escrituras (Sl 1.2; Sl 119.97, 103), mas também é obrigação irrenunciável dos pastores e demais oficiais da igreja, de todos os que fazem uso do púlpito para falar em nome de Deus, expor a Palavra, pregar a Palavra (2 Tm 4.2), não usando da ocasião para falar o que acham, o que pensam em sua fértil imaginação, pois a Palavra não provém do homem, mas de Deus (2 Pe 1.20,21).

Talvez uma das maiores carências da Igreja na atualidade seja esta: a verdadeira pregação da Palavra Deus. Alguém poderia afirmar que todos os dias e em várias ocasiões há pregação, sendo incabível falar em carência; outro poderia alegar que há a internet, programas de rádio e TV, sendo assim, não há carência de pregação. Todavia, é inteiramente equivocada esta conclusão, pois apesar de haver muita propaganda evangélica, nem tudo expõe o Evangelho genuíno (deveríamos usar somente a expressão “Evangelho”, mas como perdeu o sentido real ao longo dos anos, acrescentamos a palalavra “genuíno”).

No meio cristão pentecostal há uma forte ênfase no atuar do Espírito Santo na vida do cristão. Tal convicção encontra fundamento principalmente no livro bíblico de Atos dos Apóstolos, pois creem os pentecostais que a igreja de Atos é um modelo para a igreja atual. Entretanto, em alguns (muitos) casos a ênfase na atualidade dos dons espirituais e do batismo o Espírito Santo suplanta a “capacidade de raciocinar”, não que isto ocorra conscientemente em todos os casos, mas é que ao abandonarem a doutrina dos apóstolos (At 2.42) e ficarem só com a "experiência apostólica", parecem perder toda a capacidade intelectual que era presente nos primeiros discípulos para expor com inteligência o Evangelho (vide o discurso de Pedro em At. 2, Estevão em At. 7 e Paulo em At. 17).

Sendo assim, é fácil encontrar muitos púlpitos pentecostais pobres no que se refere à pregação da Palavra de Deus. Há entre muitos líderes o pensamento aintibíblico de que “não é por muito falar”; outros ainda conseguem sustentar a afirmação grosseira de que “a letra mata”, como sinônimo de resistência ao estudo bíblico/ teológico, e assim, negligentemente, vamos multiplicando heresias, assaltando as mentes de crentes incautos e matando neófitos na fé.

Cumpre esclarecer, portanto, que essa negligência não encontra respaldo doutrinário, tampouco na literatura denominacional (refiro-me aqui à assembleiana em alguns de seus consagrados expositores). A título de exemplo e falando diretamente sobre a preparação e entrega de sermões, atividade mais importante a ser desenvolvida em um púlpito, o escritor pentecostal Anísio Batista Dantas afirma que “O ministro do Evangelho, especialmente o pregador, é um guia para o leigo no entendimento da Bíblia.” [1] Tal missão de guia deveria fazer temer o ocupante do púlpito, pois ousa afirmar que fala em nome de Deus e que guia outros. Prosseguindo, acrescenta o escritor que “uma das maiores tragédias nos púlpitos de nossas igrejas é a má preparação dos pregadores, especialmente daqueles que, além de não estudarem, deixam de se dedicar à pregação”, ainda, “outras há que, sem desconfiar do entrave que causam à obra do Evangelho, são verdadeiros inimigos dos estudos e dos que estudam”.[2]

Se uma das maiores tragédias é a defeituosa exposição do pregador, pergunta-se: Quanto tempo em média dura a preparação de um sermão que vai ser exposto em 40 ou 50 minutos? Quantos minutos são gastos em oração, meditação e no duro exame do texto bíblico, bem como de materiais auxiliares? Há quem diga que isto tudo é desnecessário, pois basta abrir a boca que Deus a encherá (Sl 81.10) - seria este o propósito do texto de Salmos? Contudo, tal afirmação é mais uma demonstração da falta de preparação, falta de apego ao Texto Sagrado.

Um grande expositor bíblico dos dias atuais, no Brasil, disse que uma das primeiras coisas que observa ao visitar a casa de um colega de ministério é a biblioteca. Se é pobre o acervo, pressupõe-se que há pouca e deficiente preparação bíblica, pois "não dá pra ler só a Bíblia". Como assim? Dirão alguns: isto é uma heresia! É possível reafirmar, com mais ênfase, e mesmo sem medo de errar, pois em relação ao texto bíblico somos extremamente limitados, tanto quanto ao ambiente em que este foi produzido (histórico, geográfico, cultural etc.), quanto em relação ao texto original (hebraico, aramaico e grego) e tantos outros pormenores. Sendo assim, apesar de crermos inteiramente na Bíblia como Palavra de Deus tendo-a como regra de fé e prática, precisamos de auxílio, não substitutos, para aperfeiçoar o entendimento acerca das Escrituras.

Para citar dois autores pentecostais, volto ao escritor Anísio Batista que, discorrendo sobre o esquema e estrutura do sermão afirma que além do conhecimento da Palavra de Deus o pregador necessita de:

6. Cultura geral. Não há limite para a cultura do obreiro cristão, especialmente a do pregador. Deve ser armazenada através dos anos, por longos e profundos estudos, leituras demoradas e constantes, e frequentes pesquisas. Leituras esporádicas nunca deram cultura sólida a ninguém, e o inimigo dos livros jamais será culto.
7. Cultura específica. Envolve conhecimento especializados, particularmente a teologia (em seus vários ramos), história geral, história do povo hebreu, geografia bíblica, homilética, hermenêutica, ética e atividades pastorais, ética cristã, evangelismo, missões, psicologia, sociologia, além de sólido conhecimento da língua em que vai pregar.
8. Conhecimentos atualizados. São adquiridos de todos os campos da atividade humana, através de livros, periódicos, anotações de conferências, sermões d e outros pregadores, convenções, escolas bíblicas, seminários e todos os meios de difusão cultural e informação. Naturalmente, esses conhecimentos armazenados são repassados na mente, laboratório intelectual do pregador, na medida do possível e à proporção que vão surgindo as necessidades. Eles enriquecem o homem de Deus com novas experiências. Acrescntadas ideias próprias, o pregador poderá preparar melhor os seus sermões.[3]

Fortalece os argumento acima, lição do renomado professor de homilética das Assembleias de Deus no Brasil, Pastor Elinai Cabral:

Todo pregador que se preze deve possuir uma biblioteca, à qual não deve faltar um dicionário bíblico, uma enciclopédia bíblica, comentáios, geografia e arqueologia bíblicas, história geral e da Igreja, livros devocionais, biografias, manuais de doutrina, dicionário da língua portuguesa e outros.[4]

Uma adverência deste autor deveria ser tocada em alto e bom som para os pregadores atuais: “O pregador não deixa de ser espiritual pelo fato de enriquecer seus sermões com conhecimentos gerais.”[5]

Não foi Pedro que afirmou que o crente deve crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe3.18)? Não crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens  (Lc 2.52)? Por que desprezar o crescimento no conhecimento?

A precariedade nos púlpitos impede o crescimento dos cristãos, impede o avanço da igreja, impede que seja Igreja.

Sendo assim:
Aos que pregam, não sejam negligentes (1 Tm 4.14).
Aos que ouvem, não sejam acomodados (At 17.11.).

Continua...
 
*Editado em 22/08/17.

[1]  - DANTAS,  Anísio B.; Como Preparar Sermões – Dominando a arte de expor a Palavra de Deus. 23ª impressão. Rio de Janeiro: CPAD,2013, p.35.
[2]  - Ibid.
[3] - Ibid  p. 75.
[4]  - CABRAL, Elienai.  Programa em Formação de Teologia - HOMITÉTICA I. Campinas-SP: EETAD 2016, p. 9.
[5]  -  Ibid , p. 8.

domingo, 4 de outubro de 2015

PRECISA-SE DE PREGADORES COMO FILIPE

Inicialmente, vale ressaltar que a seara é grande e há carência de ceifeiros. Contudo, há necessidade de bons ceifeiros, não de homens inabilitados para o manuseio das ferramentas usadas na colheita, do contrário, além de haver grande possibilidade de prejuízo próprio, há também chances de danificar os campos.

Em Samaria chegou, certa vez, um diácono chamado Filipe, o qual, assim como outros, fugiam da perseguição em Jerusalém (At. 8.4-8). Filipe pregava a Cristo aos de Samaria, anunciava ao que fora morto e reviveu à multidão e estas atendiam unânimes às coisas que o pregador dizia, ouvindo-as e e vendo os sinais que ele operava; havia cura, demônios eram expulsos; grandes coisas aconteciam ali pela manifestação do poder de Deus.

Pensemos então, Filipe estava agora no centro das atenções do povo de Samaria, certamente era celebrado por aqueles moradores, pois podia fazer coisas grandiosas e nessas condições era muito cômodo ali ficar, tendo alegria em participar de grandes cultos.

Sabendo que o coração do homem é enganoso e dele procedem todos os males, não é exagero afirmar que, aos olhos humanos, aquele ministério para Filipe era coisas mui desejável e que, se pudesse, não acabaria. Com isso, podemos fazer uma analogia com os ministérios atuais, não? Homens que são levantados por Deus de lugares desconhecidos, obscuros e, de repente, estão sob holofotes, contudo, mesmo que Deus queira apagar as luzes eles insistem em lutar com o Senhor, e isso para que o Mestre mantenha a casa cheia, os hotéis aconchegantes, os vôos constantes, os cachês volumosos e os abraços e honrarias constantes.

A Samaria resolveram enviar apóstolos, a saber, Pedro e João, os quais foram poderosamente usados por Deus naquela cidade (vv. 14-25).

Quanto a Filipe, vemos que o Senhor resolveu transferi-lo para outro lugar a fim de continuar fazendo a importante obra de Deus. Um público maior, isso? Não, pelo contrário, tirou o Senhor seu servo do centro da atenções e levou-o para um caminho deserto (v. 26), e para isso acontecer não foi necessário retirá-lo à força de Samaria, não, apenas um anjo falou que fosse ao lugar determinado e ele assim o fez. Noutros lugares, convites a descer a um "ministério menor", ou a falar a poucas pessoas soa como desonra, como se Deus tivesse o compromisso de manter seus "servidores efetivos" em lugar de destaque e não transferi-los a bem do serviço do reino.

Filipe, agora, desce a pregar a um homem que seguia para sua terra em uma carro. Assentado e lendo o Texto Sagrado em Isaías o viajante nada entendia, mas aproximando-se  Filipe ouviu o que era lido, indagou se o homem compreendia, e tendo este dito que não, Filipe cumpre a missão de ensinar, ainda que a um só homem. Desse episódio registrado em Atos 8.26-38, resultou a conversão e imediato batismo de um que provavelmente levou a santa mensagem ao seu povo.

Filipe, depois, achou-se noutro lugar evangelizando, não importando-se com o número de ouvintes, mas fazendo o que o Senhor da seara determinava.

Precisa-se de pregadores assim, fieis diante de grandes auditórios, mas obedientes e alegres em pregar a um só.  Do contrário, penso que os que selecionam a parte da seara a que falam talvez sejam sócios do Dono, ou talvez saibam administrar melhor do que aquele ordenado os trabalhadores.

sábado, 26 de setembro de 2015

AOS PREGADORES PENTECOSTAIS: UMA MENSAGEM NECESSÁRIA

Abaixo, trecho de ministração de um Pastor Pentecostal, Pr. Elienai Cabral, falando aos pregadores do nosso meio.

Indispensável aos pregadores da atualidade, que são do meio pentecostal, e também aos que não são, mas são críticos, pois a mensagem retrata um padrão que deve ser adotado no meio pentecostal; abaixo o Pastor adverte os que, dizendo-se pentecostais, optam por meninices ou bizarrices.

No primeiro vídeo, um trecho menor, mas muito valioso; no segundo vídeo a ministração completa.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

DEVE-SE PREGAR A PALAVRA, PUBLICAMENTE E DE CASA EM CASA. MAS TODOS CONSEGUEM?

No livro de Atos dos Apóstolos, precisamente no capítulo 20 versículos 17-27, Paulo chama os presbíteros da igreja de Éfeso para despedir-se e, durante seu discurso, diz, no versículo de número 20: "... jamais deixando de vos anunciar coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa..."

Não obstante a riqueza contida no trecho mencionado, é interessante meditar na parte transcrita.

O Apóstolo dos gentios, o homem instruído aos pés de um doutor da lei [Gamaliel], o missionário incansável, o plantador de igrejas, o homem que escreveu mais da metade do Novo Testeamento afirmou que pregava publicamente a Palavra, mas também de casa em casa.

Anunciar a Palavra publicamente poderia ser algo maravilho como nos dias de Pedro quando quase  três mil creram (At. 2.14-41), ou ainda no Templo, quando o número dos que ouviram e creram subiu a quase cinco mil (At. 3.11 - 4.4), mas não é sempre assim, segundo Paulo também havia a necessidade de anunciar a Palavra de casa em casa, ou seja, a um pequeno grupo ou, quem sabe, a um só indivíduo.

Tal pequeno trecho da Bíblia pode colocar muitos pregadores em sérias dificuldades hoje, pois apesar de exaltarem a Paulo como um grande exemplo a ser seguido, não se sujeitam a pregar a pequenos grupos. Será que julgam ser maiores que Paulo? Será que Deus chama alguns exclusivamente para grandes plateias?

Deveriam sentir vergonha, mais ainda, se observarem o exemplo do meigo Nazareno, pois em alguns momentos afastava-se da multidão para orar sozinho, ou ainda pregava grandes sermões a uma única pessoa, como em João 4.1-30 no episódio da mulher samaritana.

Aos que preferem as multidões em detrimento de pequenas igrejas, cabe a advertência de Paulo a seu filho na fé, Timóteo: "Conjuro-te perante  Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda longanimidade na doutrina." (2 Tm 4.1,2)

Se convidado a pregar em uma pequena congregação na periferia em que há poucas pessoas e cujo som é propagado seu auxílio de equipamento sonoro, pregue! Se a um grupo de pessoas humildes, distantes do teu grandioso conhecimento intelectual, pregue! Se em um maravilhoso templo, cuja beleza é inigualável, pregue! Se a um só indivíduo, pregue!

Você não foi chamado para fazer a tua vontade, então, em qualquer ocasião, anuncie a grandeza  do Senhor. Do contrário, examine-se a si mesmo e veja se ainda permanece na fé.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O QUE É VIVA E EFICAZ É A PALAVRA


O escritor aos Hebreus escreveu no capítulo 4 e versículo 12: "Porque a Palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração."

Não são os contos presentes em alguns púlpitos; não são os exemplos de experiências pessoais excêntricas nem qualquer outra maravilha do cristianismo do século XXI. A única coisa viva e eficaz, capaz de produzir os efeitos citados no versículo acima, é a Palavra de Deus.

No livro de Esdras, vemos a confecção de um púlpito. Lá, o propósito era que a Lei do Senhor ficasse acima dos demais, para leitura e explicação.

O Pr. Hernandes Dias Lopes, em seu comentário ao Livro de Neemias, citando o teólogo diz:Calvino entendia que o púlpito é o trono de onde Deus governa a Igreja" (p. 135)

No atual cenário evangélico, em muitos rincões já não se ouve a Palavra de Deus, mas sim o nome do Senhor mesclado a cânticos antropocêntricos e  ditos bíblicas. Às vezes a leitura bíblica é o apito inicial em algumas pregações, dá início ao jogo, apenas isso.

A teologia doente que é maioria nas mídias hoje, é responsável por uma geração de adeptos ao cristianismo; não são verdadeiramente convertidos a Cristo, mas adeptos de um sistema que lhes interessa para satisfazer.

Palavras ditas, cantadas e pregadas que não sejam a Palavra de Deus, são mortas, não produzem o propósito divino, não aproximam o homem de Deus.

Só a Palavra de Deus, anunciada com sinceridade e fidelidade é que pode fazer viver os que morreram ou morrem, pois ela, a Sagrada Lei, é viva e eficaz, ou seja, passados milênios está operante no homem.

Ministros que não pregam a Palavra de Deus não podem reclamar de um rebanho doente, pois são os principais responsáveis (os dirigentes), da doença.

Em Atos dos apóstolos 4.29, em oração os apóstolos e os primeiros cristãos rogavam ao Senhor: "agora, Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que anunciem com toda a intrepidez a tua palavra."

A preocupação dos cristãos era a anunciação da PALAVRA.

Ainda o Pr. Hernandes Lopes traduz um pouco da vida da Palavra: "Se não interpretamos o texto corretamente, vamos aplicá-lo distorcidamente. Vamos prometer o que Deus não está prometendo, corrigir quando Deus não está corrigindo. A exposição e a aplicação da Palavra produziram na vida do povo de Deus vários resultados gloriosos".

Seja a uma multidão ou a uma centena; seja a um pequeno grupo ou a uma pessoa, como Filipe e o Eunuco etíope, necessário é expor tão somente a Palavra, pois fora dela não há nada que possa mostrar ao homem seu verdadeiro lugar, sua  condição e o Deus amoroso e justo que todas as coisas domina.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

SOBRE O 11º ANIVERSÁRIO DA ADCA (1)

Passamos cinco dias em festa, foram dias de bençãos, dias em que ouvimos a Palavra do Senhor continuamente, falou-nos o Senhor repreendendo, confortando, exortando e consolando, todo os que ali estiveram, ou acompanharam pela Internet, puderam ouvir a voz do Senhor.
Aqueles que se identificam mais com mensagens onde a particularidade do pregador o leva a ser mais "animado" , usar um tom de voz mais elevado e tal, foram satisfeitos; aos que preferem ministrações mais expositivas, como um estudo bíblico bem explicado, também foram satisfeitos.
Chamo a atenção não para o estilo de cada pregador e, sim, para o conteúdo pregado, exposto perante o povo de Deus, isso deve ser analisado à luz da Bíblia.
Em uma das preleções ouvimos um mensageiro ler um texto que não era o do tema do congresso, isso acontece em vários lugares. Após ler o texto não se prendeu àquilo que leu para expor seu conteúdo ao público, antes, dissertou sobre outros textos, experiências de outras pessoas e ainda gastou boa parte de seu tempo tentando animar o público para que chegasse a um nível de empolgação que lhe agradasse.
Infelizmente não foi uma mensagem cristocêntrica, não enfatizou a necessidade de o homem se voltar com arrependimento para Deus e se humilhar diante dEle, que pena.
Um ministro com estilo totalmente diferente do primeiro, ministrou de forma sistemática a Palavra de Deus, sem gritos eufóricos, sem tentar manipular a massa, aliás, acho que é isso que acontecia nos templos bíblicos, pregava-se a mensagem de Deus sem se interessar se o povo iria ou não se agradar. Será que não é essa a missão daqueles que pregam a Palavra? Pouco importa se o público foi ao delírio ou não, importa que se fale a Palavra de Deus com conhecimento, unção e propriedade, somos obrigados a semear somente, quem conhece o terreno onde caiu a semente é o Senhor, ele é que fará crescer e frutificar.
Eu, particularmente, prefiro os menos eufóricos e uma mensagem com cunho reflexivo, que nos faça enxergar nossa necessidade de aproximação ao Senhor, mas assim penso eu, falho e cheio de imperfeições.
Houve um pregador que "profetizou" uma mensagem a alguém, infelizmente nada do que foi falado era verdade. Entoaram-se cânticos de "fogo" e o "fogo pegou", quando questionado e ao dizer que não havia nada de bom na letra ( não na pessoa), fui visto com outros olhos, dizia-se: " mas o irmão tem unção !", " Deus operou".
Qual é mesmo o conceito de unção?
Então o mestre que ministrou a Palavra de forma profunda e que não provocou o "fogo", não tinha unção? Que será mais árduo, pesquisar na Palavra sob oração, constantemente ou cantar durante alguns minutos um cântico embalado por um ritmo balançante que empolga o povo?
Em outros artigos comentarei sobre o operar de Deus nos dias que estivemos em festa. Neste primeiro artigo sobre os onze anos de nossa igreja desejo apenas que reflitamos mais acerca de nossos conceitos.
em Cristo.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

TERÁ TEM QUE MORRER ??


A frase, “Terá tem que Morrer”, foi o título de uma pregação que ouvi certa vez, o orador falava da necessidade de fazermos morrer algo em nossas vidas que, porventura, estivessem impedindo-nos de caminhar segundo o propósito de Deus.
Mas afinal, quem foi Terá?
Terá era descente de Sem ( Gn 11.11-24), filho de Noé, e através de sua vida Deus trouxe à existência uma das figuras mais notáveis do Antigo Testamento, Abraão.
Abraão é conhecido como o pai da fé pois, deixando sua terra partiu para um lugar que o Senhor lhe mostraria, pela fé obedeceu á voz do Deus de Israel, "Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia." (Hebreus 11 : 8), também não hesitou quando Deus pediu que lhe oferecesse seu filho Isaque como sacrifício ao Senhor porém Deus proveu um cordeiro para ser imolado no lugar do filho de Abraão ( Gn 22. 1-16; Hb 11.17 ).
Quando se faz a leitura dos dois últimos versículos do capítulo 11 e ininia-se o capítulo 12 do livro de Gênesis encontra-se a seguinte narrativa;

“E tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali.
E foram os dias de Terá duzentos e cinco anos, e morreu Terá em Harã.” (Gn 11.31,32)

“ORA, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.
E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Assim partiu Abrão como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã.” vv 1-4

O trecho acima descreve a saída de Terá pai de Abraão e parte de sua família para a terra que o Senhor havia prometido a Abraão, lendo esse início do capítulo e os últimos versículos do capítulo anterior há uma idéia de que Abraã teria saído de Harã quando seu pai morreu; e não foi? Não.
Sabemos que nem sempre os capítulos, ou até livros na Bíblia, estão organizados por ordem cronológica, esse trecho do livro de Gênesis é claro quanto a isso, Abrão não saiu de Harã após a morte de seu pai, Deus não tirou a vida de Terá para que Abraão o obedecesse, a analogia do pregador naquela noite não estava fundamentada de forma correta sobre texto sagrado. Segundo a história o grande pregador Charles Spurgeon lia um texto sobre o qual iria ministrar, até cinqüenta vezes, temo que o pregador não se deteve em examinar o contexto da narrativa Bíblica citada.
Uma regra básica de hermenêutica diz que se deve analisar um texto à luz do seu contexto que pode ser imediato ou remoto.Comparemos alguns versículos do capitulo onze e doze para identificarmos onde houve equívoco por parte do orador:

“E viveu Terá setenta anos, e gerou a Abrão, a Naor, e a Harã.” (Gn 11.26)

“E foram os dias de Terá duzentos e cinco anos, e morreu Terá em Harã.” (Gn 11.32)

“Assim partiu Abrão como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã.” (Gn 12.4)

Segundo os versículos acima Terá era mais velho que seu filho Abraão 70 anos, logo, quando partiu Abraão de Harã aos 75 seu pai Terá ainda estava com 145 anos e demoraria mais 60 para expirar, a simples falta de atenção e precipitação para falar algo pode levar a um erro como esse, é claro que um ouvinte da mensagem ao identificar o erro durante a exposição não dará o mesmo crédito ao que ouve como se não tivesse identificado o erro.
Há muitas coisas em nossas vidas que devemos fazer morrer tais como, nossa natureza pecaminosa e tudo aquilo que se opõe à vontade do nosso Pai; partindo desse ponto pode-se aplicar isso à nossa vida como cristãos mas, não embasados no texto do livro de Gênesis.
A má interpretação da Bíblia pode gerar não pouca confusão tanto no meio cristão como na sociedade onde a igreja está inserida, vários movimentos “pseudo cristãos” tem surgido pelo de homens interpretarem a Bíblia segundo suas vontades, distorcendo o significado das escrituras para benefício próprio, é assim que surgiu, por exemplo, o movimento da Teologia da Prosperidade que apregoa que os bens materiais são sinal da bênção de Deus na vida de seus filhos e que , todos os que servem a Deus devem desfrutar desse bem, se não o fazem é porque falta-lhes fé ou estão em pecado, aplica-se o mesmo em relação à saúde, movimentos assim nunca pregão santificação, arrependimento, perdão, amor ao próximo sem interesses; o Senhor Jesus já nos preveniu acerca desses males, "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores." (Mateus 7 : 15), "Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos." (Mateus 24 : 24).
Há pouco tempo foi noticiado no fantástico um fato trágico e ao mesmo tempo engraçado, um homem que se dizia Pastor, disse ter encontrado um texto bíblico que fundamentasse seu ato de adultério, ensinava que era lícito tomar outra mulher, sendo casado, para se deitar com ela, não só ensinava como o fez com o consentimento de outros, veja aqui o que a falta de conhecimento, principalmente de português mas também bíblico causou, a reportagem disse que o homem, ele mesmo, se auto denomina Pastor ..

Nosso dever como seguidores de Cristo é examinar o que ouvimos confrontando tudo com as Escrituras, os irmãos de Beréia foram chamados nobres por examinarem o que ouviam, conferindo se era assim que diziam os escritos sagrados (At 17.11), o que sempre levou, leva e levará o povo de Deus a errar e ser enganado é a falta de conhecimento de Sua palavra: "Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus." (Mateus 22 : 29).

"Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;" (João 5 : 39)

Em Cristo,

João Paulo.

UMA PASTORA NO MINISTÉRIO DA MULHER, FAMÍLIA E DIREITOS HUMANOS.

No vídeo abaixo, a nova Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos concede entrevista ao canal CPAD. Dentre outras coisas, Damares fal...